Voltar

Segurador afirma que open insurance é "desnecessário"

O Open Insurance é algo desnecessário, mais modismo e marketing do que qualquer outra coisa. A crítica foi feita pelo presidente da Porto Seguro e vice-presidente da CNseg, Roberto Santos, ao participar, nesta terça-feira (30) do programa "Mesa Redonda do Seguro". Segundo o executivo, o mercado de seguros, na prática, "já é open" desde a publicação do Decreto-Lei 73/66, que regulamenta o setor. "Existe uma figura legal que representa o segurado, que é o Corretor. O segurado todo ano tem a oportunidade de trocar de fornecedor. Ele é orientado e apoiado pelo Corretor nesse processo de escolha e não tem vinculo com as seguradoras. É totalmente independente. A gente não está nem um pouco confortável com essa situação", acrescentou Santos. 

Ainda sobre a relevância dos Corretores de Seguros, ele frisou ainda que a Porto Seguro não lança qualquer produto que não possa ser comercializado por esses parceiros. "O Corretor, se desejar, pode, por exemplo, vender o Carro Fácil (serviço de assinatura de veículos) e intermediar as vendas de carros seminovos oriundos desse serviço. O Corretor é nosso principal intermediário de todas as nossas vendas", enfatizou, revelando ainda que o Carro Fácil já tem cerca de nove mil assinaturas comercializadas.  

Em outro trecho do programa, o presidente da Porto Seguro admitiu que o desabastecimento de veículos zero km e de peças trouxe uma valorização de até 20% dos carros seminovos, o que se refletiu no mercado de seguros, especialmente nas taxas de sinistralidade. "No ano passado, as seguradoras aplicaram taxas com base em um cenário de preços mais baixos dos veículos e, agora, precisam indenizar pelo valor atual, bem maior. Não há o que fazer no momento. Mas, será resolvido mais adiante. A minha leitura é positiva para seguro auto. O tiquet médio deve ser maior daqui para frente. Outro efeito que ajuda atenuar o problema é a oportunidade de vender os estoques de salvados por um valor maior. Tudo isso é transitório e deve voltar ao normal no segundo semestre de 2022.", observou. 

TECNOLOGIA. 

A respeito dos efeitos da pandemia na rotina profissional do Corretor de Seguros, Roberto Santos afirmou que a categoria está "tirando vantagem" do novo cenário, pois passou a olhar a internet não como uma ameaça, mas como oportunidade. "A pandemia forçou o segurado a se aproximar da internet e o Corretor teve muito sucesso nesse processo. Muitos Corretores conseguiram até expandir bastante o seu raio de atuação pela internet, que, em geral, ficava restrito ao seu âmbito geográfico físico, na sua cidade. Passaram a vender em todo o Brasil, tendo mais visibilidade para os seus negócios e sua Corretora, dos produtos que comercializam. Então, a internet passou a ser vista como valiosa ferramenta. É um legado que ficou da pandemia para o mercado", pontuou. 

Nesse contexto, ele enfatizou a importância de o Corretor apostar no potencial do seguro de vida, aproveitando o aumento da demanda pelo produto. Para tanto, destacou que é fundamental se especializar no negócio, entender bem o seguro de vida e oferecer para o cliente dele. "O momento é mágico para isso", asseverou. 

Por fim, Santos disse ainda que a Porto Seguro vem apostando em um "ecossistema de soluções de proteção", que incluem seguros, consórcios, cartões de crédito, serviços de assinatura. Para tanto, quando necessário, faz aquisições ou compra participações em empresas especializadas, desde que o acordo faça sentido e permita a "sinergia no nosso ecossistema". 

Ele revelou que o grupo tem olhado para novas oportunidades e admitiu que outras operações serão feitas. "Mas, tudo com muito cuidado, sem perder de vista a necessidade de cuidar o que já temos hoje", ressaltou. 

A mediação do programa foi feita por Paulo Kato, editor executivo da Revista Cobertura. Participaram da entrevista os jornalistas Júlia Senna (JRS); Nicole Fraga (Revista Apólice); Karin Fuchs (Revista Cobertura); Ipa Paradeda (Seguro Gaúcho); Márcia Kovacs (Insurance Corp) e Alícia Ribeiro (CQCS).

 

CQCS