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Queda histórica leva varejo a nível abaixo da pré-pandemia

O volume de vendas no varejo recuou 1,3% em setembro, de acordo com a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada hoje (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A queda superou as expectativas da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que projetava retração menor, de 0,8%, na comparação com o mês anterior.

A variação representou a maior queda mensal para meses de setembro na série histórica, iniciada em 2001. Na comparação anual, a retração foi de 5,5%, a maior para meses de setembro desde 2016 (-5,7%). Para a entidade, esse comportamento revela que a proximidade da normalização do fluxo de consumidores tende a contribuir cada vez menos para a sustentabilidade das vendas.

O estudo aponta que, no fim de setembro, a média diária de consumidores frequentando estabelecimentos comerciais se situava 8,1% abaixo do nível observado às vésperas do início da adoção de medidas restritivas ocasionada pela pandemia de covid-19.

Ao término de outubro, a frequência se aproximou ainda mais da registrada em fevereiro de 2020 (-4,1%). Durante a primeira onda da crise sanitária, o fluxo chegou a ceder 66% em menos de um mês.

Para o presidente da CNC, José Roberto Tadros, a inflação elevada e persistente representa o principal obstáculo à sustentabilidade da recuperação do comércio. "As fontes de pressão sobre o nível geral de preços são diversificadas e contaminam uma quantidade cada vez maior de segmentos", avalia.

De acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), desde setembro de 2020, o índice de difusão da inflação se mantém acima de 60%, tendo rompido a barreira dos 70% em dezembro do mesmo ano (72,1%) e em agosto de 2021 (71,9%).

Defasagem no repasse de preços no varejo

Segundo a análise, os reajustes dos preços no atacado têm pressionado as margens de comercialização do varejo em todos os segmentos do setor.

O Índice de Preços ao Produtor (IPP), coletado mensalmente pelo IBGE, aponta que, na média, os preços no "chão de fábrica" subiram 21,4% nos nove primeiros meses de 2021.

No entanto, o comércio varejista repassou menos da metade (+10,5%) desse aumento ao consumidor final, tendo como referência o deflator decorrente da diferença mensal entre a receita nominal e o volume de vendas no varejo obtido da própria PMC.

Até o momento, os segmentos varejistas com maiores defasagens de repasse de preços em relação às variações no atacado são: livrarias e papelarias (21,5 pontos percentuais); tecidos, vestuário e calçados (14,2 p.p.) e informática e comunicação (14,1 p.p.).

O economista da CNC responsável pela pesquisa, Fabio Bentes, avalia que, diante do surto inflacionário global e da demanda por energia, a tendência é que o quadro econômico atual não se reverta em curto prazo. Consequentemente, o consumo seguirá em desaceleração nos próximos meses. "As restrições orçamentárias da população, associadas ao quase esgotamento da capacidade de endividamento das pessoas físicas, deverão fazer com que o fluxo de consumidores no varejo contribua marginalmente, cada vez menos, para o avanço das vendas nos próximos meses", observa. 

CNC