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Mercado pode fechar o ano com avanço de 3%

A indústria de seguros pode fechar o ano com um crescimento de até 3%, na avaliação do presidente da Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada, Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNseg), Marcio Coriolano.

O mês de setembro marcou a virada da arrecadação para o território positivo. Até agosto, o setor vinha de uma queda anual de 0,8%. As receitas das seguradoras atingiram R$ 197,783 bilhões no acumulado até setembro, sem considerar o DPVAT, ante R$ 196,653 bilhões em agosto, segundo dados da entidade. Com isso, a indústria seguradora agora cresce 0,6% no ano quando comparada aos nove meses de 2019. O avanço tende a aumentar, pois no último trimestre a alta de arrecadação vista a partir de julho deve acelerar.

Apenas em setembro, o setor teve uma receita de R$ 24,4 bilhões, 11,92% superior ao mesmo mês de 2019. O resultado consolida a melhora progressiva do crescimento. Em julho e agosto, os avanços foram de 4,3% e 7,3%, respectivamente. —

No último mês do terceiro trimestre, o ramo de maior crescimento foi o seguro de crédito e garantia, com alta de 308,7%. Em seguida aparecem responsabilidade civil, com subida de 56,09%, e grandes riscos, que teve avanço de 39,97% em prêmios emitidos. Outro destaque do mês ficou com o prestamista, que teve uma elevação de 33,15%. Ramos tradicionais como auto e vida também subiram. Os produtos registraram altas de, respectivamente, 4,32% e 18,69% em setembro.

No lado negativo, o seguro viagem ainda amarga tempos difíceis. Em setembro, o produto caiu 81,39% na comparação com o mesmo mês de 2019. A proteção aeronáutica aparece em seguida com a segunda maior retração, de 54,07% na mesma base.

No acumulado de nove meses, os melhores desempenhos anuais ficam com as categorias de responsabilidade civil D&O ("directors and officers"), que cresceu 59,65%, rural, com alta de 30,14%, marítimos e aeronáuticos, com subida de 30,07%, e grandes riscos, que aumentaram 28,04%.

Os ramos de vida, prestamista, auto e residencial têm desempenhos mistos no período. Os dois primeiros produtos sobem, respectivamente, 11,69% e 3,62%, enquanto as coberturas para veículos recuam 4,09% e aquelas voltadas a casas e apartamentos têm elevação mais modesta, de 2,76%.

No acumulado de três trimestres, o setor registra quedas expressivas em ramos como viagem, de 56,28%, garantia estendida, de 14,99%, e riscos de engenharia, de 9,64%. Os planos de previdência privada também mantêm-se no negativo em nove meses, com queda de 1,57%. O resultado é puxado pela arrecadação menor do VGBL, com recuo de 2,08% em 2020 até setembro frente a nove meses de 2019.

A família PGBL tem mostrado mais fôlego, com subida de 4,84% na mesma base. De acordo com Coriolano, alguns ramos tradicionais, provavelmente, não conseguirão sair do negativo em 2020, na comparação com o ano anterior. "Auto, por exemplo, não vai conseguir recuperar tudo até o fim do ano", diz.

"Ainda que exista uma recuperação nas vendas e fabricação, a indústria de veículos não voltou ainda ao mesmo ritmo de antes da pandemia", acrescenta. O presidente da CNseg também enxerga alguma dificuldade de produtos de previdência privada de ultrapassarem a produção de 2019. "Mesmo PGBL e VGBL, que perderam em algum momento da pandemia a tração, vai ser difícil recuperar até o final do ano tudo o que perderam."

Ainda assim, Coriolano ressalta que o setor tem mostrado grande resiliência em meio à recessão provocada pela pandemia. "Enquanto as projeções mostram uma queda do PIB em torno de 5% neste ano, a indústria de seguros deve crescer 1% no pior cenário e até 3% no melhor", afirma o presidente da CNseg.

Para o dirigente, "em 12 meses, a evolução já está no mesmo patamar de 2019". Conforme Coriolano, "apesar das dificuldades, o setor conseguiu manter uma produção razoável e resultados bons, o que mostra que temos um mercado solvente" mesmo em situações críticas.

Valor Econômico