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Mercado discute a cobertura dos “cisnes negros”

Não existem muitos contextos em que US$ 2 trilhões pareçam uma soma insignificante, destaca o Valor Econômico. Então surge uma pandemia. Diante das consequências econômicas da covid-19, seguradoras emitiram alertas existenciais e empresas descobriram que não estavam cobertas. Isso inundou tribunais de processos e levou governos a tomarem medidas para evitar mais danos.

No centro da questão está a realidade de que os US$ 2 trilhões em capital do setor global de seguros, que exclui o segmento de vida, não serão suficientes em um evento de "cisne negro", como um ataque cibernético ou outra pandemia que abalem a economia global.

Parlamentares do Reino Unido, da União Europeia e dos Estados Unidos buscam maneiras de os contribuintes ajudarem de uma forma mais previsível do que resgates elaborados às pressas. Gigantes de seguros, como Chubb, Axa e Lloyd's of London, pressionam por ações antes que as lições de 2020 desapareçam.

"A pandemia não é um risco que você pode cobrir", disse o CEO da Swiss Re, Christian Mumenthaler, em teleconferência sobre o balanço no início do ano. "Os balanços patrimoniais das seguradoras são uma pequena fração" do que pode ser necessário durante uma calamidade. Qualquer coisa tão grande quanto o risco de uma pandemia, argumenta o setor, precisará do apoio do governo.

O novo coronavírus paralisou economias globais de uma forma para a qual poucos se prepararam, com a receita de milhões de empresas reduzida ou totalmente perdida quando foram forçadas a fechar as portas. Mas está longe de ser a única ameaça possível.

"O mundo se encaminha para um risco mais sistêmico em ataques cibernéticos, cortes da cadeia de suprimentos, invalidez de longo prazo, saúde, etc., etc.", disse Julian Enoizi, diretor-presidente da Pool Re, uma empresa do Reino Unido que oferece cobertura em parceria com o governo para danos materiais e interrupção dos negócios por ataques terroristas.

"Se fugirmos de riscos que são muito difíceis de cobrir, se não procurarmos usar nossa experiência para encontrar soluções inovadoras e criativas, como parcerias público-privadas e trabalhar com a academia, corremos o risco de nos tornar irrelevantes", disse em entrevista.

 

Valor Econômico