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Especialista sugere que seguradoras virem insurtechs

Fundador de uma das principais "think tank" globais de seguros, a IoT Insurance Observatory, o ítalo-americano Matteo Carbone, Matteo Carbone, que fará a abertura do CQCS Insurtech & Innovation, nesta terça, dia 23, disse, em entrevista ao jornal Valor Econômico, que todas as seguradoras terão de se tornar uma "insurtech", para sobreviver na indústria de seguros nos próximos anos. A análise é tanto uma provocação ao setor quanto resume seu pensamento sobre o tema inovação e impacto da tecnologia.

O especialista, que trabalhou em 20 diferentes mercados internacionais seguradores, conta que "tecnologia e dados são uma oportunidade para a indústria fazer seu trabalho melhor e se reinventar".

Considerado um dos principais influenciadores do tema no mundo, Carbone escreveu ou foi coautor de oito livros sobre inovação em seguros e impactos da tecnologia sobre o setor.

As insurtechs – empresas de seguros com base tecnológica – têm ocupado um papel de transformação na indústria muito diferente das primas "fintechs" em relação ao setor financeiro.

De acordo com Carbone, em lugar de disrupção pura e simples, as grandes seguradoras têm se beneficiado do ecossistema de inovação e "alcançam vantagens competitivas graças ao melhor uso de ferramentas tecnológicas de dados".

Para Carbone, as iniciativas mais relevantes de seguros globais "não foram necessariamente feitas por empresas iniciantes de tecnologia".

Conforme o especialista, "as maiores inovações têm sido realizadas mais pelos incumbentes ou num trabalho conjunto entre insurtechs e grandes empresas, que conseguem prover recursos e capital". Apesar do efeito complementaridade, os avanços vão ter um impacto enorme na indústria daqui para a frente.

O recado do especialista é claro: quem não incorporar ferramentas, como telemetria, internet das coisas, inteligência artificial e análise de dados, simplesmente, fica para trás. "Um exemplo é que alguns meses atrás o CEO da Allstate [uma das maiores seguradoras americanas do segmento auto], em um evento organizado por um banco de investimentos, afirmou que, no futuro, quem não souber usar bem dados telemáticos vai sofrer para competir no mercado de seguro auto e perder lucratividade."

Segundo o pesquisador, "o próprio Warren Buffett ao discutir o desempenho da Geico, subsidiária da Berkshire Hathaway, reconheceu que a seguradora estava atrasada no desenvolvimento de competências de telemetria, o que começa a impactar a competitividade", diz.

Na visão do fundador do IoT Insurtech Observatory, "o impacto gerado pelas startups são uma pequena parte do movimento massivo da tecnologia". As mudanças, continua o especialista, trazem uma transformação do próprio paradigma do setor. "As novas iniciativas claramente têm mudado o conceito de transferência de risco pura e simples para algo entre transferência e prevenção do risco. É uma evolução do papel do segurador, que se torna proativo e evita coisas ruins, e não é apenas alguém que paga uma indenização se algo acontece ao cliente."

Carbone afirmou que inovação tem se tornado fundamental para a própria sobrevivência dos negócios. "Estou ansioso por um futuro no qual a inovação terá a mesma relevância do compliance no setor de seguros. Não estamos lá, mas, em algum ponto, vamos chegar."

Outro mito que a experiência global tem derrubado é o da desintermediação. "Falar sobre ter um contato direto com consumidores, sem intermediários, é um discurso eficaz para levantar dinheiro com venture capital, que amam esse tipo de história e palavras como disrupção. Mas então você começa a sofrer pressão dos investidores por resultados. Agora temos visto as insurtechs voltarem a bater na porta dos intermediadores para conseguir que vendam suas apólices." Carbone diz ter ouvido de uma grande insurtech ser "tão incrível trabalhar com agentes, pois você só paga um percentual dos prêmios, em lugar de fazer um grande investimento para adquirir dados de consumidores". 

CQCS