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Corretores, assim como o mercado, devem se reinventar

 

 

Corretores, assim como o mercado, devem se reinventar

 

Caribou Honnig, co-founder do ITC Connect, era o palestrante escalado para fazer a primeira palestra do evento. Entretanto, um incidente o tirou do evento e ele foi substituído por Jonathan Kalman, fundador da EOS Venture Capital. Kalman foi categórico ao afirmar que a tecnologia está se tornando mais barata, o que acelerará a transformação do setor de seguros. Em 2018, foram investidos mais de US$ 3 bilhões em insurtechs, o que estimula a entrada de novas startups neste setor.

Segundo Kalman, centenas de empresas estão sendo financiadas e existem ainda os conglomerados gigantes que olham o mercado, como Amazon, Tesla, AliBaba entre outros. O fluxo de financiamento segue com valores de US$ 1,2 milhões investidos apenas na América Latina. "O SoftBank lançou um fundo de inovação que promete US$ 2 bilhões apenas para a AL", justificou Kalman, que aproveitou para questionar: você vai surfar nesta onda ou vai se afogar?

Um dos grandes méritos da tecnologia é encontrar soluções para fazer de forma diferente as tarefas do cotidiano. Quando o seu custo cai, ela passa a ser adotada por um número maior de corporações e empresas. "Com a curva de custo decrescente, há uma deflação o que possibilita as mudanças. O setor de seguros precisa ser transformado para que seja integrado à vida das pessoas sem esforços", salientou Kalman.

O executivo, que atua como investidor, apresentou alguns exemplos de como a tecnologia pode mudar a vida das pessoas. "Como setor, em saúde, devemos passar da fase de cobertura para a de prevenção. O sequenciamento do genoma será uma forma de poder prever o que virá pela frente. O custo do sequenciamento cai exponencialmente e isso deve transformar os seguros de vida e saúde. Em 2025, este custo deve ser menor que US$ 1". Entretanto, o pulo do gato será oferecer esta tecnologia gratuitamente para as pessoas para melhorar a distribuição, abrindo a possibilidade de coleta de dados.

"O objetivo é a simetria das informações, pois assim as pessoas de fora entendem que podem coletar dados para criar novos canais de negócios. O seguro precisa mudar e o custo da tecnologia em queda é fundamental para que a indústria se reinvente", sentenciou Kalman.

Citando outra tendência, Kalman mostrou que como o API é uma forma do cliente se conectar diretamente com a seguradora, o corretor terá que se tornar uma forma de intermediação inteligente. "O seguro deve fazer parte de nossas vidas de forma automática, principalmente nos seguros on demand", previu, acrescentando que os corretores serão mais eficientes e rentáveis, o problema é que o mundo não vai precisar de tantos corretores.

Repercussão

Bruno Garfinkel, presidente do Conselho de Administração da Porto Seguro e estava presente na palestra, disse que a figura do corretor não irá desaparecer. Para ele, o corretor precisará identificar as modalidades de seguro que exigem um papel de consultor, quando o profissional se torna um guardião do cliente. "Aqueles que conseguirem sair do papel de vendedor e conseguirem ser consultores estarão garantidos, porque as relações humanas oferecem um grau maior de confiança para o consumidor que não deseja ter surpresas com contratos complexos".

O mercado deve crescer bastante e haverá espaço para os consultores. A venda direta irá acontecer para os produtos mais simples. Ele acredita que a venda consultiva permitirá que a seguradora ofereça preços precisos para cada risco. "O preço médio do seguro é caro. O acessível é aquele que o corretor chega através de um trabalho consultivo".

Revista Apólice (14/06/2019)