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CNC: Inflação desacelera vendas no comércio

Com a inflação elevada, o volume de vendas no varejo recuou 1,7% em junho, frustrando as expectativas do mercado. O dado foi apontado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na divulgação feita nesta quarta-feira (11), interrompendo uma sequência de dois meses de altas significativas. A expectativa é de reação no médio prazo, uma vez que as vendas seguem superiores aos meses mais agudos da pandemia, por esse motivo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) manteve a previsão de crescimento do setor em 4,5% para 2021.

O presidente da CNC, José Roberto Tadros, destaca que o acompanhamento das vendas mês a mês é um termômetro importante do comportamento do consumidor, mas que as variáveis tornam a leitura inexata. "As altas expressivas observadas nos dois meses anteriores, por exemplo, em um período econômico ainda escasso, por vezes podem resultar em um crescimento menor no período subsequente. Mas hoje o País vive um momento de inflação alta, primeiro item que vai recair demasiadamente sobre a cadeia. Mesmo com mais pessoas nas ruas, consumindo, os ganhos serão menores."

Segundo acompanhamento do Google Mobility, em abril de 2020, pior mês do varejo brasileiro, houve uma redução de 58% na concentração de consumidores em relação ao período pré-pandemia. A partir de maio do mesmo ano e ao longo do segundo semestre de 2020, as vendas acompanharam a tendência da queda no isolamento social da população, voltando a regredir nos três primeiros meses deste ano. Ao fim de junho de 2021, a circulação de consumidores ainda estava 18,7% e, no mês seguinte, 10,9% abaixo do nível pré-pandemia.

Ritmo de vendas desacelerado no segundo semestre
As vendas observadas no mês representaram o pior desempenho do setor para meses de junho desde 2002, quando a queda foi de 2%. O economista da CNC responsável pela análise, Fabio Bentes, já vinha alertando para recordes nos índices mensais de inflação, mas diz que a reação das vendas deve seguir no segundo semestre do ano, ainda que de forma mais branda.

"O cenário de inflação elevada já contratado até o quarto trimestre de 2021 e a consequente tendência de elevação dos juros ao consumidor na ponta deverão desacelerar o ritmo de recuperação das vendas até o fim do ano. Mas o setor segue reagindo, e devemos observar que, apesar da queda, ainda houve aumento comparativo nas vendas, em relação ao mesmo período do ano passado", aponta.

Seis dos dez segmentos acompanhados pelo IBGE apuraram retrações mensais em junho de 2021, destacando-se as perdas registradas nos ramos de tecidos, vestuário e calçados (-3,6%), equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (-3,5%) e artigos de uso pessoal e doméstico (-2,6%).

CNC