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Armando Vergilio: corretor precisa diversificar

O corretor de seguros tem que diversificar sua operação. A afirmação foi feita pelo presidente da Fenacor, Armando Vergilio, ao participar do painel "Direto & Reto com as autoridades do mercado", durante o Sincor Digital, evento virtual realizado pelo Sincor-SP, sexta-feira (23/10). "Ficou mais uma vez provado, na pandemia, o valor agregado que o corretor traz nessa relação de mercado. Isso já era relevante, mas dentro da nova ordem, ele precisa diversificar sua atuação, se converter em um planejador financeiro e de proteção", conclamou Vergilio.

Mediado pelo presidente do Sincor-SP, Alexandre Camillo, o painel reuniu líderes de entidades do mercado de seguros, parlamentares e representante da Susep. 

Segundo Armando Vergílio, a diversificação é fundamental na medida em que o corretor, além de agente importante para mercado e economia, também é imprescindível para o consumidor, que precisa de alguém que o represente em um mercado dinâmico e que se altera e moderniza rapidamente.

Vergilio citou a LGPD como oportunidade que surge nessa busca pela diversificação, uma vez que todas as empresas e até pessoas físicas têm que cumprir os dispositivos desta lei. Ele revelou que, para ajudar o corretor a se adequar à lei, a Fenacor desenvolveu uma solução – o LGPDCOR – que pode ser comercializada para clientes e segurados. "É uma solução de altíssima tecnologia e custo muito acessível, e que melhor atende nossas necessidades e as de qualquer empresa", assegurou. 

Ele também asseverou que "não existe possibilidade de acabarem" com o corretor, que vem reafirmando sua importância. "Enquanto atendermos os clientes com qualidade e ampliarmos o leque, ninguém acaba com a gente", pontuou.

O presidente da Fenacor alertou ainda que a categoria precisa ficar atenta à possibilidade de alteração na questão do simples, que é "vital para a sobrevivência de milhares de empresas do Brasil".

Já o presidente da CNseg, Márcio Coriolano, apontou que a pandemia acabou comprovando que todo o mercado já estava caminhando para uma "inovação grande e séria" há muito tempo, não apenas tecnológica, mas também de processos e rotinas. "Deixamos muitos setores ruborizados. Conseguimos atender a todos na pandemia. Graças a Deus", vibrou.

Coriolano, alertou, contudo, que isso não elimina a necessidade de o setor "aumentar o passo". Ele citou como passo importante o Sandbox, que "baixou a baliza " das exigências da regulação. "Isso abre a oportunidade para inclusão de mais gente no mercado. Veio em boa hora", disse o presidente da CNseg que citou ainda a redução de exigências de capital, como outra norma que pode ajudar o mercado a crescer ainda mais.

A programação desse painel inicialmente previa a participação da superintendente da Susep, Solange Viera, o que não ocorreu. A autarquia não enviou um dos seus diretores, e foi representada pelo assessor de Estudos e Relações Institucionais, Paulo Roberto Miller.

A ausência da superintendente foi criticada pelo mediador. Segundo Alexandre Camillo, ao não comparecer, Solange Vieira demonstrou que não deu valor ao evento, que seria "uma oportunidade para conhecer melhor o corretor".

Na sua participação, Paulo Miller argumentou que a Susep estabeleceu um "canal direto" com os corretores, principalmente através de webinares. Ele elogiou o papel do corretor, que considera "imprescindível" para o mercado, mas ressaltou que não é uma ou outra norma que dá essa importância à categoria, mas, sim, os serviços prestados. "Enquanto o corretor estiver prestando serviço de qualidade, não é lei ou norma que vai acabar com a categoria", asseverou.

Por sua vez, o presidente do Sindseg-SP, Rivaldo Leite, comemorou o fato de o mercado de seguros estar "indo muito bem" nesse período de pandemia. "Realmente, surpreendeu a todos. No primeiro momento, veio susto em março, ninguém sabia o que fazer. Mas, aos poucos, o mercado começou a reagir", frisou, acrescentando a perfeita sinergia entre corretores e seguradoras, que adotaram ações para ajudar seus parceiros. 

Ele elogiou ainda a atuação dos corretores de seguros. "Sempre ouvimos que mercado não estava preparado e que o corretor não era digital. Com a pandemia, os corretores deram banho de tecnologia e provaram que estão e já estavam capacitados", enfatizou Leite, acentuando que o desempenho do mercado vai melhorar ainda mais neste final de ano.

DEPUTADOS. 

O debate contou com a presença de dois deputados federais: Lucas Vergilio (SD-GO), que é presidente do Sincor-GO e vice-presidente da Fenacor; e Marco Bertaiolli.

Vergilio lamentou o fato de a Susep não conhecer o mercado, até por ser dirigida por executivos que vieram de outros setores, e criticou a fatal de uma agenda legislativa mais proativa. "Muitos setores estão em constante diálogo com o Congresso. Mas, falta essa agenda proativa legislativa do setor. O interesse do Ministério da Economia em relação ao mercado de seguros também é baixo. Temos que buscar isso. A Fenacor e a CNseg até buscam esse diálogo e agendas. Contudo, infelizmente, o Governo não colabora com a gente", comentou.

Ele aumentou o tom ao criticar a Susep por ter aproveitado uma medida importante para todo o país – a MP 905/19 – que poderia gerar empregos, para tentar revogar a lei que regulamenta a profissão do corretor de seguros e retira a categoria do Sistema Nacional de Seguros Privados. "Outra prova que a Susep não tem preocupação com o corretor é que, após MP 905, o assunto autorregulação desapareceu na autarquia. Tentamos um novo texto que fosse ao encontro da autorregulação, mas não houve qualquer movimento", acentuou.

Já Marco Bertaiolli se se colocou à disposição dos corretores na luta contra a exposição da sua comissão, como previsto pela Resolução 382/20. "Essa medida é totalmente inócua. Não há razão para que isso ocorra", afirmou. .

Ele revelou que também está trabalhando contra a proposta de se considerar o Simples como renúncia fiscal, o que pode afetar diversas categorias, incluindo os corretores de seguros a partir de 2021.

CQCS