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Adesão do setor ao Open Banking deve ser lenta

O acesso a produtos de seguros está previsto na Fase IV do open banking, o que deve ocorrer por volta de outubro de 2021, destaca o Valor Econômico. Desde meados do ano passado, técnicos da Superintendência de Seguros Privados (Susep) e do Banco Central (BC) estão em frequentes reuniões para alinhar detalhes entre os dois reguladores no sentido de estabelecer quais serão as informações a serem compartilhadas para poder integrar os seguros junto aos sistemas das instituições financeiras credenciadas.

Por ser um setor tradicionalmente mais conservador que o financeiro, a expectativa é que a adesão das grandes seguradoras e das insurtechs venha em um ritmo mais lento do que o registrado pelas fintechs.

Segundo Eduardo Fraga, diretor técnico, da Susep, uma das possibilidades é criar uma plataforma nos moldes do open insurance, já presente no Reino Unido, na qual o cliente compartilharia seus dados com as companhias que tenham seus produtos digitalizados e, com níveis de segurança e agilidade na troca de informações por meio de blockchain. "A outra possibilidade é a adesão ao Open Banking, que poderia até mudar de nomenclatura e se tornar open finance", afirma.

O primeiro passo da Susep foi o Sandbox Regulatório, iniciativa que selecionou 11 projetos digitais inovadores, que apresentaram soluções diferenciadas e capacidade de facilitação dos processos entre clientes e seguradoras. Entre os vencedores, apenas um veio de uma grande seguradora, a MAG (ex-Mongeral), por meio de uma seguradora criada especificamente para o Sandbox, chamada Simple2u.

"É um produto de Vida, que pode ser contratado de forma intermitente, por período, como para uma viagem ou para o trajeto do trabalho. Queremos colocá-lo no open banking", afirma Marcos Antônio Diniz Machado, diretor executivo da MAG Finanças. Os demais são de insurtechs e da Stone, de meios de pagamento, que apresentou um protótipo de seguro inserido junto ao crédito. Procurada pela reportagem, a Stone não forneceu detalhes do projeto.

As vencedoras receberam por parte da Susep o status de seguradoras temporárias por três anos, com o compromisso de atuarem no modelo B2C. "Por serem negócios de baixo risco, como massificados, e de prazos curtos, flexibilizamos as normas de regulação prudencial, como provisões técnicas e requisitos financeiros, obedecendo normas de proporcionalidade", diz Fraga.

Entre as insurtechs contempladas, a mais conhecida é a Thinkseg, que opera há cerca de dois anos um seguro "pay per use" de autos, em parceria com a seguradora Generali. "Agora, como seguradora, estamos prontos para participar do Open Banking, caso alguma instituição financeira tenha interesse", afirma Andre Gregori, CEO da Thinkseg, que cogita ingressar em dois novos ramos em 2021.

Os principais parceiros das insurtechs tendem a ser os bancos digitais e empresas de meios de pagamento, principalmente as de cartões de crédito. Já os bancos tradicionais deverão apostar em suas seguradoras próprias, pelo menos no primeiro momento. Mas já há sinais de movimentação entre os bancos digitais. Em março, o Nubank deverá lançar um seguro de Vida, em parceria com a seguradora Chubb.

Por sua vez, o Original anunciou um seguro de Vida, em parceria com a MetLife, e um produto residencial, com a Sura. Em 2021, segundo Michelle Brito, superintendente de seguros do Original, novos produtos serão distribuídos pela plataforma do banco, já com vistas ao open banking. Com parcerias firmadas com a carteira digital Pic Pay e com a 99, para seguros de celular do motorista, a insurtech 88i está em vias de fechar acordo com duas instituições digitais em 2021.

Segundo Rodrigo Ventura, CEO da 88i, o diferencial é o blockchain, que permite pagamento praticamente imediato de indenizações. Além de mobile, a 88i trabalha com acidentes pessoais e telemedicina. Também com base no blockchain, a insurtech Pier desenvolveu um modelo voltado para celulares e autos, que recebeu aporte de US$ 14,5 milhões do fundo Monashees.

Segundo Igor Mascarenhas, CEO da Pier, o Open Banking será uma experiência positiva para a entrada de insurtechs com produtos voltados para novos nichos. Há soluções inéditas no mercado. O modelo da Komus prevê o cahsback de até 50% caso o cliente não use o seguro do celular. "Reduz a incidência de fraudes de pessoas que alegam roubo ou perda do aparelho para pagar a franquia e comprar um novo", diz Stephanie Peart, fundadora da Komus.

Já o projeto da Coover usa o conceito de proteção compartilhada, formada por grupos de pessoas que se conhecem, em ramos como smarthphones e pets. "Vamos formar com parcerias com bancos", promete Jó Beduschi, fundador da Coover

 
 

Valor Econômico